Entrevista com Helio Queiroz!

Hoje trazemos uma entrevista que queríamos fazer há bastante tempo: Helio Queiroz vem contar um pouco da sua história! Se quiser acompanhar o trabalho dele, só seguir aqui!

Nosso muito obrigado ao Helio por compartilhar sua experiência conosco!!


1.    Para quem não conhece, quem é Helio Queiroz?

Profissional de design atuante há quase 20 anos. Coautor dos livros ABC do Rendering, ABC do Rendering Automotivo e Super Rods. Lead Designer da General Motors em Detroit.

2.    Como começou sua história com carros? Quando você decidiu que queria seguir este caminho?

Apesar de ser apaixonado por carros e desenho desde muito pequeno, comecei minha vida acadêmica no Curso de Bacharelado em Física na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Depois de algum tempo no curso, acabei tomando conhecimento da existência do Design como profissão, então decidi fazer uma pequena mudança e acabei ingressando no Curso de Desenho Industrial da Universidade Estadual Paulista em 1997. 
No final do curso, fui um dos ganhadores  no Concurso Volkswagen Design 2000 e o estágio recebido como prêmio foi a grande porta de entrada para minha história com carros.

3.    Como começou sua carreira? Já trabalhou em outras montadoras?

Meu contato com o ambiente profissional começou paralelamente à faculdade em atuação como estagiário no POZ Industrial Design, um estúdio de design de produto localizado na região central de Bauru - SP.  
Ao fim do curso de design e do estágio na Volks, fiz estágio na SeaCam onde tive contato efetivo com o Alias Studio Tools. Em seguida, trabalhei por cinco anos na Busscar Ônibus em Santa Catarina. 
Em 2007, ingressei na General Motors do Brasil e faço parte do General Motors Design Center, em Detroit, desde 2015.

4.    Em quais áreas já trabalhou (exterior, interior, 3d, etc)?

Já trabalhei com design de produto, de ônibus, na criação de  livros de design e design de automóveis. Nas horas vagas, faço exercícios de Concept Design e Sci-Fi... 
Na área de produto, trabalhei com diversos projetos, desde displays para pequenos equipamentos industriais, até máquinas de fitness e grandes equipamentos agrícolas. Na indústria automobilística, sempre estive focado em exteriores.  
Nunca trabalhei como modelador, mas há muito tempo uso o 3D como ferramenta auxiliar no desenvolvimento do meu trabalho.

5.    Você usa uma técnica interessante juntando sketch com modelagem 3d. Como funciona isso? Aprendeu com alguém ou foi desenvolvendo sozinho?

Ao  aprender Alias na SeaCam, em São Paulo, comecei a visualizar essa ferramenta como um poderoso ambiente para a criação direta. Acredito que qualquer farramenta pode ser usada para a criação, desde que você tenha fluência nela: papel, clay, programas 2D, programas 3D...  
As curvas geradas no espaço tridimensional do Alias, por exemplo, são compatíveis com qualidade e velocidade. Durante um dia de trabalho é possível gerar mais de uma dúzia de variações completas  de um veículo em forma de curvas no espaço,  já com proporções e dimensões corretas. No dia seguinte, será possível iniciar o "preenchimento" do espaço entre essas curvas com ferramentas simples de geração de superfície, o que permitirá a geração de dezenas de renderings em ângulos e condições diferentes. No final, se for necessário, você poderá escolher alguns e refinar no Photoshop. 
Na minha opinião, o controle espacial real do 3D, ao contrário do controle imaginário do 2D, é o grande diferencial.

6.    Como foi participar do ABC do Rendering e escrever o Super Rods? De onde surgiu a ideia e o que você achou do resultado?

Foi um grande prazer trabalhar em conjunto com os mestres Ericson Straub, Marcelo Castilho e Paulo Biondan, nos ABCs e com Arthur Martins e Rafael Raulino no Super Rods. O propósito foi desvendar um pouquinho dos segredos das diversas formas de representação que o designer pode utilizar no seu dia a dia. Fiquei feliz com o resultado porque conseguimos cumprir a missão, mas ao mesmo tempo ainda persiste a vontade de ver mais coisas assim acontecendo no nosso país. O Brasil ainda tem muito pouco disso.

7.    Quem são suas principais referências, seja do design automotivo ou qualquer outra área?

As minhas referências são centenas de profissionais ao mesmo tempo, são meus colegas de trabalho. Geralmente estou com o Pinterest, Instagram, sites e blogs sempre abertos para ver o que está sendo postado. Não foco muito em coisas que já estão em produção, quero ver as ideias mais novas em todos os ramos do design.

8.    Como sempre, a última pergunta é um pouco estranha, mas é sempre interessante ver as diferentes respostas: se você pudesse colocar um outdoor em qualquer lugar, com qualquer coisa nele, onde você colocaria e o que teria?

Esse outdoor seria colocado em um local de grande concentração de estudantes de design e teria algo relacionado ao elemento de maior importância nessa área: a criatividade. Também não faltaria algo sobre a relação de dependência entre a criatividade e a paixão, ou seja, o designer só conseguirá ser criativo se tiver paixão pelo que faz.    
Acredito que para todo e qualquer profissional criativo que trabalhe com a imaginação, a força só pode ser encontrada nessa relação.