[Peter Stevens] A evolução da grade da Aston Martin

[Peter Stevens] A evolução da grade da Aston Martin
Esse é um post original de Peter Stevens, designer do lendário McLaren F1, traduzido pelo CarDesignHUE. O texto original em inglês você encontra na página do Facebook do Peter Stevens, nesse link aqui.

As imagens do Aston Martin Vantage 2018, tanto de rua quanto o de corrida, nos fazem pensar: "o quanto dá para mudar a entrada de ar frontal sem perder a identidade da Aston"?

A primeira versão da clássica entrada de ar que ficou conhecida pelos americanos como DRG (Down the Road Graphic) e hoje é uma característica da marca foi vista em 1948 no Aston Martin DB1. O "DB" era uma homenagem a David Brown, um fabricante de tratores muito rico que foi um dos muitos que gastou uma fortuna para tentar tirar a Aston da ruína e acabou perdendo uma fortuna ainda maior, até passar a empresa para outro cara muito rico tentar salvar a empresa.

 1948 Aston Martin DB-1, o início da famosa grade

1948 Aston Martin DB-1, o início da famosa grade

O desenvolvimento da grade em três partes ficou claro no protótipo DB2, das 24h de Spa; a versão de produção de 1950 teve uma ótima solução para a grade, que manteve a silhueta do original mas com apenas uma parte. O lindo DB3S de 1954 teve, provavelmente, a versão mais bonita da entrada de ar da Aston, enquanto o DB3 de 1957 teve uma versão bem feita baseada na do DB3S - quando um carro de corrida bem desenhado influencia o carro de produção anos depois.

DB4 e DB5, maiores e mais voltados ao mercado "de passeio", alteraram ainda mais a clássica entrada de ar. No entanto, o DBS, desenhado por William Towns, teve a grade influenciada pelo estilo da época, mais reto, com linhas mais agudas e frente mais "chapada".

Foi nessa época que a Aston Martin sumiu por alguns anos, até que a Ford saiu comprando várias empresas, adquirindo o controle da Jaguar, Aston Martin, Volvo e várias outras. Um novo Jaguar coupé, o XJR XX, abandonado pela Ford, nova dona da Jaguar, foi passado para a equipe de corrida Tom Walkinshaw Racing para o designer Ian Callum transformá-lo em um Aston Martin. Esse carro se tornou o DB7 (o carro que salvou a Aston Martin) e veio com uma nova grade baseada na do DB4. A partir desse carro surgiu a nova linha DB que passou pelo comando de Ian Callum, Henrik Fisker e, mais recentemente, Marek Reichman.

Aí começou o problema: hoje não é aceitável, em termos de marketing, que uma companhia mantenha a mesma grade por muito tempo - Mercedes e BMW, em particular, se sentiram obrigadas a "evoluir" o gráfico da grade frontal com o passar dos anos. Em alguns casos tiveram sucesso, em outros não, mas a Aston acabou sentindo a mesma obrigação. Pensando em um perfil de cliente conservador, o DB9 foi uma boa aposta, mas, pensando em um cliente novo, eles poderiam ter ousado mais.

Já o DB10, feito especialmente para um filme do 007, trocou o clássico "queixo" por um elemento muito fino abaixo da grade; Vulcan e Valkyrie, os carros de corrida de mentirinha, acabaram de vez com esse elemento, assim como o Vantage 2018, com cara de mal humorado.

 Vantage 2018 e sua cara de mal humor

Vantage 2018 e sua cara de mal humor

O Vantage 2018 é um carro que possui uma superfície bem muscular mas uma saída de ar estranha logo atrás da roda dianteira e uma linha mais embaixo, não muito bem desenhada, vindo dessa saída de ar. Linhas que somem do nada raramente funcionam bem... Já o DB11 possui um design mais sóbrio que fica no meio do caminho, dando ao carro um ar mais nostálgico. O que a Aston Martin vai mostrar daqui pra frente, vai ser interessante de ver.