Salão2016: Entrevista com Thiago Carfi - VW T-Cross Breeze

Um dos caras mais gente boa do design automotivo brasileiro (e até internacional!), Thiago Carfi já foi citado aqui no site como referência! Finalmente, nos conhecemos no Salão do Automóvel, na final do Talento VW.

Lá no Salão, uma das grandes atrações foi o T-Cross Breeze, conceito que o Thiago desenvolveu quando estava lá na Alemanha. Depois disso, ele voltou para o Brasil e chegou a trabalhar em alguns projetos por aqui e agora em 2017 ele já voltou para a Alemanha para trabalhar no departamento de veículos comerciais da VW!!

Antes de tudo, só temos a agradecer ao Thiago, que nos deu bastante força, e ao pessoal da imprensa da VW, que fez essa entrevista sair do papel!

1.    Para quem não conhece, quem é Thiago Carfi? Você trabalha no grupo VW mas atua em alguma marca específica (Volkswagen, por exemplo) ou para todas as empresas do grupo? Quais as suas principais atividades hoje?

Bem, pra começar, tenho 27 anos e sou natural de Brasília, mas cresci em São Paulo. Comecei em Design quando fiz um curso aos 16 anos de Alias. Fiz Design Industrial pelo IED entre 2007 e 2009. Participei do talento em 2008, quando fui finalista, e de novo em 2009, na última chance, quando pude ganhar o prêmio. O prêmio, claro, é o estágio da VW durante 1 ano, que tive durante 2010. Durante 2011 fui trabalhar na Design Storz, na Áustria, sugestão do meu amigo Cleber Santos, e voltei à VW na metade de 2012, onde estou desde então. 
Trabalho na Volkswagen do Brasil, e sempre atuei nos carros voltados ao Brasil, mesmo que alguns sejam mundiais também. Trabalho em Design Exterior e me especializando nisso. Desde o Sketch, ao 3D, ao Clay (que eu gosto muito) e o modelo final.

2.    O que é o projeto T-Cross Breeze? Qual a proposta dele?

O Breeze nasceu de um conceito simples: antecipar um modelo de produção (a própria VW ja divulgou isso), mas fazer isso de uma maneira irreverente, divertida. No começo, o chefe de Design da marca Volkswagen Klaus Bischoff deixou em aberto para que propuséssemos vários tipos de carros: SUV-Coupe, Cabrio, Targa ou até Picape. Todas foram apresentadas e discutidas, mas a escolhida mesmo foi um Cabrio, num sketch que eu tinha mandado.

3.    Que frase resume o conceito? Qual a história por trás do carro?

Uma palavra muito dita pelo chefe foi muito ''Fun'', ou ''Friendly''. A história sempre foi essa: fazer um carro que chamasse a atenção do público jovem, por ser divertido ou até controverso. Um outro tema também comentado no início foi ''Urban Sports''. Enfim, um carro que fizesse as pessoas comentarem; não fosse ''apenas mais um'' showcar. 

4.    Quais foram suas principais referências e inspirações para ele?

Bem, vale dizer que este carro sofreu uma certa metamorfose durante o processo, mas eu sempre olhei bastante para Product Design. Ele nasceu similar a um modelo de produção, mas nasceu com identidade própria, bem facetada, sharp. É difícil nomear uma origem especifica de inspiração, afinal, nós consumimos uma quantidade enorme de imagens diariamente, mas desde o princípio eu queria que ele tivesse um aspecto, sólido, mas sem ser bruto, com sensação de tough, esculpido. Um designer que sempre me inspira (e nesse projeto também) é o Ora-Ito.

Evolution armchair, do Ora-ïto

5.    Quanto tempo levou para sair do sketch para o modelo final? Qual parte do projeto você participou mais? Teve algum desafio especial, algo que ocorreu ao longo do desenvolvimento ou algum detalhe específico que te desafiou mais do que esperava?

O processo todo demorou entre 4-5 meses, até terminarmos os dados matemáticas, entre Agosto e o final de Novembro de 2015. A fabricação mesmo do modelo demorou mais, até Fevereiro, se não me engano. Eu participei do primeiro sketch até a entrega dos dados matemáticos finais. Tivemos praticamente 3 semanas e meia de Clay. Um grande desafio aconteceu durante o processo, que foi que o direcional do modelo mudou. A linguagem dele mudou para esta, arredondada, que ficou no modelo. Mas deu para dar um toque mais ''Product Design'' nele. Acho que em geral deu pra manter o caráter do modelo. Eu me lembro que fui trabalhar no dia seguinte que meu filho nasceu … mas em geral o processo foi muito bom com Arnaldo Cruzeiro  e Patrick Protti, todo mundo junto colaborando, e com Marco Pavone no comando …  aprendi muito, foi ''tough'', mas muito bom!

6.    Quais outros projetos você já participou? Como você compara o T-Cross Breeze com esses outros projetos?

Participei da Saveiro Cross, da qual se originou do meu sketch, principalmente na frente e lateral, e teve o modelo finalizado pelo Guga Motta. Um pouco da frente do Gol atual 2016, e de uns outros que ainda vão demorar para sair.  O processo do Breeze, apesar de uma reviravolta no meio do caminho, foi bem objetiva, direta; não dava tempo pra ir e voltar muito.  Foi um processo às vezes doloroso, de trabalhar até altas horas e final de semana, mas um processo objetivo, até rápido, comparado a um modelo de competição normal. Teve modelos que trabalhei mais de um ano. Foi duro mudar de tema no meio do caminho, mas eu gostava das reuniões com o Klaus Bischoff, que decidiam as coisas, dava pra sentir as coisas ''andando'' … No começo, foi ótimo ver a liberdade em coisas como mudarmos a largura, o overhang, a altura do carro à vontade, sem depender (muito) de package - principal diferença entre todas as outras coisas que trabalhei na VW, cravadas na factibilidade. Claro que não podíamos fazer um carro extremamente “roubado”, e deveria se parecer com um carro de produção condizente, como de costume na Volks.

7.    A última: se você pudesse colocar um outdoor em qualquer lugar, onde você colocaria e o que teria nele?

Cara, complicada essa pergunta! Me deixou bem pensativo … mas provavelmente eu buscaria um local bem movimentado, o mais populoso possível, e escreveria frases de grandes mentes da história, acompanhado de imagens impactantes. Se fosse pra fazer um outdoor com qualquer coisa nele, que seja algo que colabore com a humanidade! Uma delas poderia ser, mais pessoal, que se pensassem isso as coisas poderiam ser mais simples… Minha esposa me falou uma vez...: ''Se você é verdadeiro consigo mesmo, você já tem todas as respostas''. Perdi a conta de quantas vezes eu me lembrei dessa frase, quando tinha que tomar uma decisão. Parece simples, mas não é!


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